Nossa equipe de analistas de dados resolveu acompanhar os números da pandemia do COVID-19 no mundo e no Brasil com o objetivo de ajudar a nossos clientes e amigos a obter informação confiável e de qualidade sobre sua evolução.

Esse trabalho é independente, baseado em datasets públicos sobre a pandemia que são disponibilizados diariamente na internet. Para a visualização dos dados estamos utilizando a versão pública do Tableau, disponível em public.tableau.com.

Nossas análises procuram ser técnicas, baseadas nos dados e em nossa experiência de mais de 20 anos trabalhando com ambientes analíticos.

Não somos da área de saúde e não podemos recomendar ou sugerir quaisquer estratégias de saúde pública. Por este motivo, as informações e análises aqui apresentadas devem ser consideradas como fontes de pensamento crítico de nossa equipe técnica.

Ao final da página incluimos uma área de comentários para que os interessados possam interagir conosco. Fiquem a vontade para criticar, sugerir e comentar.

Nossa intenção é atualizar as análises pelo menos uma vez por semana. Já os dados serão atualizados automaticamente todos os dias.

Equipe TDW

A relevância da pandemia COVID-19 versus outras causas de mortes

Não se descute que a pandemia do COVID-19 se apresenta como um grande problema para os sistemas de saúde dos países e para a sociedade em geral. Até hoje, 25 de Abril, mais de 203.000 pessoas morreram em todo o mundo e países como Itália, Espanha e Irã viram seus sistemas de saúde colapsarem muito rapidamente. Mas é preciso avaliar a relevância desta epidemia quando comparada a outras calamidades que assolam a sociedade desde muito tempo.

O gráfico abaixo tem o objetivo de fazer essa comparação. Nele é possível ver que, apesar de grave, a pandemia ainda não conseguiu atingir o grau de fatalidade de outras causas de morte que passam desapercebidas no nosso dia a dia.

Apesar do número alarmante de mais de 203.021 mortes, somente nesta semana o número de mortes pelo COVID-19 ultrapassou o das causadas pelo vírus do Influenza e ainda não é certo que consiga superar o de pessoas que morrem por contato com água contaminada ou por acidentes de carro.

O atingimento destes números dependerá da velocidade com que a pandemia se comporte nas próximas semanas. Qualquer que seja o resultado, no entanto, esses números nos fazem pensar os motivos que nos levam a negligenciar estas causas de morte enquanto damos foco total no caso da pandemia.

Por fim, os números mostram que, por mais relevante que seja a pandemia, ela não conseguirá chegar nem perto dos números de mortes por fome no mundo. Esta evidência deveria nos deixar vermelhos de vergonha.

Mortes no mundo por diversas causas

Mortes por 100.000 habitantes - Tendência de Evolução

O gráfico a seguir mostra a tendência de mortes acumuladas por 100.000 habitantes em alguns países, entre eles o Brasil.

A data de início do eixo X corresponde a data em que a China declarou a 5a morte. Os outros países tiveram suas datas ajustadas para o momento em que atingiram o mesmo valor de mortes (5 pessoas). Isso faz com que o eixo X apresente datas que não representam a realidade de cada país, sendo correto apenas para o caso da China. Em futuras versões do gráfico faremos este ajuste, apesar dele não modificar o comportamento das curvas, que continuam válidas.

Uma análise do gráfico mostra que a Itália não é o pior caso da Europa. A Espanha já supera a Itália em termos de mortes por 100.000 habitantes, apesar de estar atrasada em cerca de 12 dias em relação a curva da Itália.

Outro ponto relevante é de que a curva da Itália se aproxima do topo, o que nos leva a prever um número de mortes por 100.000 habitantes total inferior a 50. Vamos ver se essa tendência se confirma, mas precisamos reconhecer que há 15 dias considerávamos a possibilidade deste número ser inferior a 30.

O Brasil continua bem abaixo em sua evolução (em torno de 1.59 mortes por 100.000 habitantes), mas como está cerca de quatro semanas atrasado em relação à Itália (um dos países mais avançados na crise), é cedo para fazer prognósticos.

Chama a atenção o número da Coréia do Sul, com taxa bastante baixa de mortes por 100.000 habitantes. Já o  japão, que também apresenta uma baixa taxa de letalidade,  recentemente teve uma aceleração no número de mortes e causa alguma preocupação.

Uma teoria em torno dos baixos números destes dois países está associada ao uso de máscaras pela população no seu cotidiano. Aparentemente, o uso de máscaras com elemento de proteção a si mesmo e aos outros, parece ter mais efeito do que as medidas de restrição. A ver conforme os números avançem.

Novas Mortes por 100.000 habitantes - Boas notícias começam a aparecer

O gráfico a seguir mostra a curva de mortes por dia por 100.000 habitantes em alguns países, entre eles o Brasil.

Uma análise do gráfico mostra que Itália e Espanha aparentemente atingiram o ponto máximo da curva de mortes por dia, o que representa uma boa notícia para todos. Um pouco atrás na linha do tempo, a França parece estar próxima ao pico. Esperamos dar boas notícias sobre ela em breve.

Os números brasileiros estão bem abaixo dos europeus. Apesar de estarmos 2 a 3 semanas atrasados em relação à Itália e Espanha, nossa taxa de mortes diárias por 100.000 habitantes está em torno de 0.05, entre 10 e 20 vezes menor do que estes países atingiram em igual momento da curva (0,883 para a Itália e 0,442 para a Espanha). Apesar de uma possível sub-notificação este número indica que o número de mortes por 100.000 habitantes no Brasil será provavelmente muito menor do que nos países europeus.

O gráfico a seguir mostra a curva de mortes por dia por 100.000 habitantes em alguns países, entre eles o Brasil.

Uma análise do gráfico mostra que Itália, Espanha, França e UK já ultrapassaram o ponto máximo da curva de mortes por dia, o que representa uma boa notícia para todos. Um pouco atrás na linha do tempo, Suécia e Alemanha parecem estar próximas ao pico. Esperamos dar boas notícias sobre esta evolução em breve.

Os números brasileiros estão bem abaixo dos europeus. Apesar de estarmos 2 a 3 semanas atrasados em relação à Itália e Espanha, nossa taxa de mortes diárias por 100.000 habitantes está em torno de 1.5, entre 10 e 20 vezes menor do que estes países atingiram em igual momento da curva. Apesar de uma possível sub-notificação este número indica que o número de mortes por 100.000 habitantes no Brasil será provavelmente muito menor do que nos países europeus.

Evolução dos casos no Brasil - Uma visão geográfica

A seguir encontramos uma visão da distribuição geográfica de casos confirmados e de óbitos em todo o Brasil. O Sudeste concentra a maior parte de casos e óbitos, seguido das regiões Nordeste e Sul.

São Paulo e Rio de Janeiro são os estados com números maiores, mas chamam a atenção os estados do Ceará, Amazonas e Pernambuco pois seus números são altos considerando suas populações.

Por outro lado, Minas Gerais e Bahia chamam atenção pelo baixo número de casos e de óbitos até o momento.

Mortes por 100.000 habitantes - Visão Brasil

A seguir encontramos uma visão da evolução de óbitos por 100.000 habitantes por estado em todo o Brasil. A evolução das curvas mostram que São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Distrito Federal e Amazonas são os casos mais preocupantes neste momento.

São Paulo e Rio de Janeiro são os estados com números maiores, mas seus números precisam ser ajustados pois os mesmos estão entre 1 a 3 semanas adiantados em relação aos outros estados.

O total de mortes por 100.000 habitantes ainda está abaixo de 6 em todos os estados, mas esses números devem crescer rapidamente. Para se ter uma ideia, há duas semanas este número era inferior a 1. Precisaremos aguardar a evolução das próximas semanas para termos uma melhor ideia da tendência. Só nos resta aguardar.
Em breve, faremos o estudo considerando o atraso entre os estados, como fizemos para os diversos países.